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Últimos momentos

No momento de sua morte, no dia 02 de abril de 2005,
o Papa João Paulo II estava cercado dos amigos mais próximos, envolto em orações
ininterruptas e, segundo relatos não confirmados, voltado para a janela, abaixo
da qual sabia que uma multidão rezava por ele. Sua última palavra, diz a
imprensa italiana, foi um simples "Amém" - um sinal de resignação, por um lado,
mas também de sua devoção profunda, que o levou a acompanhar as orações em seus
aposentos até quando foi possível.
Detalhes da causa e das circunstâncias da morte de João Paulo II constam do
atestado de óbito e de uma declaração oficial da Santa Sé. Os documentos formam
um retrato duro do intenso sofrimento das últimas semanas e do fardo que
representavam doenças que o Santo Padre carregou durante anos. Mas também
mostram a dedicação que Karol Wojtyla inspirou e recebeu até o fim.
Um choque séptico - reação do corpo a toxinas disseminadas devido a uma infecção
generalizada - e um quadro de colapso cardiovascular foram as causas imediatas
da morte de João Paulo II. A despeito da verificação ritual, feita pelo
camerlengo, função atualmente desempenhada pelo cardeal Martínez Somalo, o
documento relata que a morte foi atestada por um eletrocardiograma de 20
minutos.

No momento em que o Papa expirou, segundo o
Vaticano, estavam com o Papa, o monsenhor Stanislaw Dziwisz, seu secretário por
40 anos e tratado de certa forma como um filho, e o monsenhor Mieczyslaw
Mokrzycki, outro amigo polonês de longa data. Momentos antes da morte, havia se
iniciado uma missa nos aposentos papais, na qual o João Paulo II, novamente,
recebera o sacramento da Unção dos Enfermos (extrema-unção).
"O Santo Padre morreu nessa noite, às 21h37m, em seu apartamento privado. Às
20h, havia se iniciado a celebração da Santa missa da festa Divina da
Misericórdia no apartamento do Santo Padre, presidida pelo monsenhor Stanislaw
Dziwisz, com a participação do cardeal Marian Jaworski, do monsenhor Stanislaw
Rylko e do monsenhor Mieczyslaw Mokrzycki", relata o Vaticano". Todos são
poloneses e amigos chegados.
"No curso da santa missa, foi administrado a João Paulo II o Santo Viático e,
mais uma vez, os sacramentos da Unção dos Enfermos. As últimas horas do Santo
Padre foram caracterizadas por orações ininterruptas de todos aqueles que o
acompanhavam na santa passagem e pela participação de milhares de fiéis que
permaneceram reunidos por muitas horas na Praça de São Pedro", relata a Santa
Sé.
No
momento da morte de João Paulo II, "estavam presentes os secretários do Santo
Padre, arcebispo Stanislaw Dziwisz e monsenhor Mieczyslaw Mokrzycki". Também
estavam no quarto o cardeal Marian Jaworski, o arcebispo Stanislaw Rylko, o
padre Tadeusz Styczen, três freiras polonesas que prestavam serviços nos
aposentos papais e a superiora delas, Tobiana Sobdka. Da equipe médica, estavam
o médico pessoal do Papa, Renato Buzzonetti, dois médicos assistentes dele,
Alessandro Barelli e Ciro D'Allo, e dois enfermeiros.
No atestado de óbito, o médico Renato
Buzzonetti relata a morte por "choque séptico e colapso cardiovascular
irreversível, em uma pessoa que padecia do mal de Parkinson, episódios passados
de insuficiência respiratória aguda e posterior traqueostomia, hipertrofia
benigna da próstata complicada por infecção bacteriana do sangue e cardiopatia
hipertensa e isquêmica."